Caixa é condenada por barrar cliente com muletas
Uma cliente da Caixa Econômica Federal deve receber R$ 5 mil de indenização do banco. Ela foi barrada na porta giratória da agência porque estava usando muletas. A decisão é da 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.
A autora da ação recorreu ao tribunal após a Justiça Federal de Criciúma (SC) ter negado seu pedido de indenização. Ela argumentou que não pode se locomover sem a utilização de muletas e que sofreu constrangimentos. Segundo a cliente, a conduta do banco "discrimina sensivelmente os portadores de deficiência, em flagrante desrespeito ao direito de ir e vir".
O juiz federal Márcio Antônio Rocha, convocado para atuar no TRF-4 e relator do recurso, entendeu que o dano moral, neste caso, está evidente. Para ele, a autora da ação "foi submetida a constrangimento desnecessário, vez que teve seu acesso impedido ao interior da instituição bancária".
O juiz ressaltou que os níveis alarmantes de violência "não têm o condão de justificar que pessoas portadoras de deficiência física devam sofrer humilhações e exposições desnecessárias ao tentar praticar atos simples, como o pagamento de uma conta". Para Rocha, "não há como aceitar que o setor econômico mais rentável deste país atenda aos cidadãos especiais em plena rua pública, apenas porque suspeita da sua especial condição pessoal". Os funcionários da Caixa, considerou o juiz, deveriam ser treinados e munidos de instrumentos para contornar situações semelhantes, a fim de não transformar o que poderia ser um simples contratempo em fonte de vexame e vergonha. (Fonte: www.consultorjuridico.com.br)
Escrito por João Ricardo Correia às 15h00
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Morre o forrozeiro Elino Julião
David Freire - sousafreire@yahoo.com.br Repórter do JH Primeira Edição
A cultura nordestina, em especial a do Rio Grande do Norte, ficou órfã de um dos seus maiores defensores e divulgadores neste fim de semana. O cantor e compositor Elino Julião, 69, faleceu no sábado à noite em decorrência de uma aneurisma cerebral.
Elino estava em sua casa, no conjunto Cidade Satélite, zona Sul de Natal, com sua família. Segundo um dos 14 filhos do músico, Araken Batista, todos estavam se preparando para ir dormir quando ocorreu o fato. "Estava me preparando para dormir, quando por volta das 21h30 ouvi um barulho, como se algo tivesse caído. Quando fui até o quarto dele vi minha mãe segurando meu pai caído no chão, sem forças", contou.
A princípio, os familiares pensaram que se tratava de uma parada cardíaca e de imediato fizeram massagem no peito de Elino. "Chamamos o Samu e eles nos aconselharam a continuar fazendo o procedimento para que meu pai continuasse consciente", disse Araken. "Pouco tempo depois, ele disse estar melhor, mas reclamava de algumas dores na cabeça. Em seguida, começou a falar palavras sem nexo. Foi aí que o Samu constatou por meio de exame que já estava em morte cerebral", completou.
A notícia da morte de Elino Julião causou comoção no segmento cultural da cidade. O corpo do músico está sendo velado no Palácio da Cultura e o sepultamento acontece nesta segunda-feira, 22 de maio, às 8h, no cemitério Morada da Paz, em Emaús.
O escritor e poeta popular Bob Motta conhecia Elino desde 1968 e o definia como "um ícone da música nordestina e que representou a luta dos que tentam manter vivas as raízes culturais do Nordeste". Ele lembrou que em 2004 Elino Julião recebeu o título de cidadão natalense. "A música e a cultura nordestina perdem um grande divulgador, mas o homem é eterno quando o trabalho permanece", comentou Bob Motta.
O produtor musical José Dias era um dos mais emocionados ao saber da notícia da morte de Elino Julião. "Estava começando a produzir um show dele para o próximo mês. Seria meu primeiro trabalho com ele e como não consegui vou levar essa frustração em minha vida", lamentou.
Maria Veneranda de Araújo, que era mulher do compositor há uma década, disse que algumas rádios de Caicó, desde que souberam da morte do músico, estão prestando homenagens a Elino Julião, tocando suas músicas na programação. Ela lembrou que o marido estava se preparando para a época do ano que mais gostava: o São João. "Campina Grande e Mossoró eram duas cidades que ele tocaria, além de outras que estavam agendadas", informou.
Maria Veneranda lembrou da importância do marido para a música nordestina, especialmente o forró. "Ele tem mais de 400 composições. Somadas às interpretações, esse número chega a 700 nos 53 anos de carreira, onde teve parcerias com Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Inezita Barroso, Trio Nordestino, Marinês e muitos outros", destacou. Elino lançou seu trabalho mais recente no último dia 13, em apresentação ao lado de Dominguinhos, no Forró da Lua. "Elino deixou um exemplo de perseverança e humildade", comentou, emocionada, Maria Veneranda, que também foi uma de suas parceiras em muitas músicas.
Araken Batista lembrou que o pai gostava sempre de dizer que era um homem do sertão. "Ele tinha a missão de traduzir em música a vida de um povo simples. A coisa que mais me faz feliz é poder dizero quanto eu o amo", ressaltou.
HISTÓRIA
Elino Julião nasceu na cidade de Timbaúba dos Batistas, no dia 13 de novembro de 1936. Seu pai era tocador de cavaquinho e concertina. Quando criança, trabalhou como carregador de água e alegrava os moradores da fazenda onde morava, cantando e batendo em latas as músicas que aprendia nas festas de Sant'Ana, em Caicó.
Aos 14 anos, Elino veio para Natal. Iniciou a carreira nos anos 1950, apresentando-se no programa Domingo Alegre, na Rádio Poti, apresentado por Genar Wanderley. No mesmo período, apresentou-se no Forró da Coréia. Gravou o primeiro disco em 1961. Em mais de 40 anos de carreira, gravou mais de 30 discos, entre os quais o LP "Enganador".
Elino Julião teve composições gravadas por importantes nomes da música brasileira. Jackson do Pandeiro gravou o forró "Xodó do motorista"; o arrasta-pé "Puxando fogo", pelo Trio Elétrico de Dodô e Osmar e "Meu saudoso Ceará", por Luiz Gonzaga. Foi gravado também por Dominguinhos e por Jorge de Altinho. O músico potiguar ainda teve composições gravadas na Bélgica, Portugal e Zâmbia.
Elino Julião era considerado a mais forte referência da música regional do Rio Grande do Norte. Entre seus grandes sucessos estão "O relabucho", "A festa do Senhor São João", "Puxando fogo", "Na sombra de Juazeiro", "Filho de gaiamum", "Cajueiro de Pirangi", "Maria home", "O rabo do jumento" e "Forró da Coréia".
A vasta carreira musical e outras informações a respeito do músico podem ser encontradas no site: www.elinojuliao.com.br.
Escrito por João Ricardo Correia às 18h45
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